domingo, agosto 29, 2010

Nem tudo é poesia.....

A sua parte
O mundo está em guerra

Qual a sua palavra bélica?
Onde o seu amor emperra?
A guerra começa na sua terra
Na casa do cotidiano

No quintal do seu pensamento
Insano
Depois vira fala
E cresce em ato mesquinho
E você atira sem bala
No inimigo seu vizinho
O mundo está em guerra
Qual o seu verbo que mata?
Qual o seu gesto que enterra?

Carmen Moreno


Saudades...


Cada pensamento, cada palavra e cada ação têm seu reflexo,
sua ressonância e sua reação.
É um sinal de fraqueza culpar os outros por seus problemas.
Você deve suportar as conseqüências das suas próprias ações.



Sathya Sai Baba

sábado, agosto 28, 2010

Poesia

Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar.
 Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.
Madre Teresa de Calcuta
 
 

quarta-feira, agosto 11, 2010

"Ser – é ser em pedaços.

Sem os cacos, nada há.
O que nos impede de viver não é o trauma, mas a ideia de que exista uma vida que possa prescindir deles.
E o que nos humaniza é a capacidade de criar algo vivo com nossas marcas de morte
“uso todos os meus cacos para fazer um vitral”.

quinta-feira, março 04, 2010

Primeira estrada
Luli e Lucinda
Na porta do mundo tem uma roseira
que flora e chora e não tem ventania
que apague a candeia do sentimento
No pé do vento tem uma cantiga
que quando sopra roda a menina
derrama alegria realça o dia
Toda criança que nasce parece a primeira estrela
amor promessa brilhando no céu do tempo

Canto Místico


 

quarta-feira, julho 09, 2008





Não há verso,tudo é prosa,
passos de luz num espelho,
verso, ilusão de ótica,
verde,o sinal vermelho.
Coisa feita de brisa,
de mágoa e de calmaria,
dentro de um tal poema,
qual poesia pousaria?
Não é preciso consenso nem arte,
nem beleza ou idade:
a vida é sempre dentro e agora.
(A vida é minha para ser ousada.)
A vida pode florescer numa existência inteira.
Mas tem de ser buscada,
tem de ser conquistada.
Lya Luft



um deus também é o vento
só se vê nos seus efeitos
árvores em pânico
bandeiras
água trêmula
navios a zarpar
me ensina
a sofrer sem ser visto
a gozar em silêncio
o meu próprio passar
nunca duas vezes
no mesmo lugar
a este deus
que levanta a poeira dos caminhos
os levando a voar
consagro este suspiro
nele cresça
até virar vendaval

Paulo Leminski



quarta-feira, junho 25, 2008

Se alguém zela e ora por você,
porque não retrinuir?


 "Tudo no mundo começou com um sim.
Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida.
Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história
e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve.
Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou."

Clarice Lispector


Já entrei contigo em comunicação tão forte
que deixei de existir sendo.
Tu tornas-te um eu.
É tão difícil falar e dizer coisas que nunca podem ser ditas.
É tão silencioso.
Como traduzir o silêncio do encontro real,
entre nós dois?
Dificílimo contar:
olhei para você fixamente por uns instantes.
Tais momentos são meu segredo.
Houve o que se chama de comunhão perfeita.
Eu chamo isso de estado agudo de felicidade."
Clarice Lispector

Será possível que nada se cumprisse?
Que o roseiral a brisa as folhas de hera
Fossem como palavras sem sentido
- Que nada sejam senão seu rosto ido
Sem regresso nem resposta
- só perdido

Sophia de Mello Breynner

terça-feira, setembro 04, 2007

06 Você, Voce.mp3

Você, você:

Que roupa você veste, que anéis?
Por quem você se troca?
Que bicho feroz são seus cabelos
Que à noite você solta?

De que é que você brinca?
Que horas você volta?
Seu beijo nos meus olhos, seus pés
Que o chão sequer não tocam
A seda a roçar no quarto escuro
E a réstia sob a porta
Onde é que você some?
Que horas você volta?
Quem é essa voz?
Que assombração
Seu corpo carrega?
Terá um capuz?
Será o ladrão?

Que horas você chega?
Me sopre novamente as canções
Com que você me engana
Que blusa você, com o seu cheiro
Deixou na minha cama?

Você, quando não dorme
Quem é que você chama?
Pra quem você tem olhos azuis
E com as manhãs remoça
E à noite, pra quem
Você é uma luz
Debaixo da porta?

No sonho de quem
Você vai e vem
Com os cabelos
Que você solta?
Que horas, me diga que horas, me diga
Que horas você volta?



sábado, setembro 01, 2007

segunda-feira, fevereiro 26, 2007


O blog, ele criou asas e voou
além dos pensamentos e das palavras..
para além do sonho..
perdoem os poetas, os jornalistas,
os compositores, os fotógrafos,
as doces palavras, os poemas
dos grandes nomes que estão aqui....
seus nomes estão aqui postados
sem pedir licença.
E eu me pergunto: quem nunca errou?
quem nunca fez alguma loucura por gostar

 demais de algo ou alguem?
Este é o meu
passatempo predileto e
é um prazer estar aqui e compartilhar.
Que nossas vidas sejam sempre movidas pelo encanto,
pela beleza das flores e sentimentos grandiosos.
Obrigada poetas queridos que me proporcionam
a riqueza de sentir...

Luiza...Luz&Arte



Li uma triste história de amor em mínimas linhas
e o poeta perdeu sua musa e sua voz.
Sei tanto dessas dores que nos arrancam pedaços,
que chorei um pouco.
Mas, também sei que, por mais que a mente e o corpo
se sintam abandonados acreditem,
amanhã começa tudo novamente,
na rua, na festa, na praia, na alma.
De repente, a vida volta!!
Então, lembrei-me dessa frase de Milan Kundera:
*
"O acaso tem suas mágicas.
Para que um amor seja inesquecível
é preciso que os acasos se juntem
desde o primeiro instante".


 agradeço a vida!

" Enlaçam-se as nossas mãos,
os nossos olhos se buscam.
Assim começa a história
do nosso coração
É por uma noite de junho
banhada de lua.......
Este amor, entre nós dois,
é simples como uma canção.
O teu véu cor de açafrão
atordoa os meus olhos.
A coroa de jasmins,
que estás tecendo
para a minha fronte,
alegra como um hino
o meu coração.
É um jogo alternado
de dons e de recusas,
de confissões e de mistérios,
de sorrisos e de timidez,
de doces lutas inúteis.
Este amor, entre nós dois,
é simples como uma canção.
Nenhum mistério,
para além do presente;
nenhum anseio
para o impossível;
apenas um puro encantamento.
Este amor, entre nós dois,
é simples como uma canção........"


Tagore

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

viver é discutir o indiscutível
inadequado e lírico
inexato exatidão rajada de impossível
viver é se entrevar
sobre os estorvos
conquistar montanhas
passo a passo tropeçar
e do tropeço refazer o espaço
é se afogar em fogo
renascer no berço brando do amor
e desse amor tantas vezes morrer
quantas for dado

olhei e vi essa imagem e a luz

que entraram juntas pela minha sala

e juntas me envolveram e me tiveram

a seu serviço desde então

a luz que ela irradia

a luz que enfim me acolhe

Cada pessoa é como um farol lançando luz em volta.

Precisamos das pessoas por causa de sua luz.

Mas se alguém de luz muito intensa esbarra em você

inesperadamente e o deixa meio cego,

enquanto durar o deslumbramento

você pode perder o rumo e até despencar no abismo.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Há rotas que semeamos na procura da verdade...
são os passos de luz que deixamos pela vida,
como traços digitais da nossa essência,
ainda que efémeros...

...memórias de outra galáxia ,

onde apenas sopram ventos de liberdade.

Onde os seres se ajudam nos seus processos vitais

sem se julgarem uns aos outros.

Onde não há nada a perdoar pois não há nada de que ter vergonha

nem nada que se considere uma ofensa.

Tomam as coisas simplesmente como fazendo parte do processo de viver.

Por conseguinte, são todos ligeiros como a brisa,

livres como o vento e etéreos como um beijo envolto em salpicos de espuma ébria de mar.

Os bons desejos dos habitantes dessa galáxia

podem ver-se em forma de flores azuis sobre uma guitarra.

Podem sentir-se à hora do alvorecer e ouvir-se no canto do vento

quando murmuram aos ramos das nuvens e às folhas das árvores das palavras,

segredos de luz...



Esvaziei-me de quase todas as tristezas,
mas deixei, intacta, uma esperança.
Soltei mágoas, presas em palavras
a que troquei as sílabas,
adoçando-as.
Coloquei ilhas de reticências
entre a vida e a dor.
Arrumei o mar no fundo dos olhos
e as asas à superfície da vontade.
E deixei espaço, muito espaço,
para reinventar os momentos
e me recriar.



"São como um cristal,as palavras.

Algumas, um punhal,um incêndio.

Outras,orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.

Inseguras navegam:

barcos ou beijos,as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,leves.

Tecidas são de luze são a noite.

E mesmo pálidas verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta?

Quemas recolhe, assim,

cruéis, desfeitas,nas suas conchas puras?"

Eugénio de Andrade