quarta-feira, agosto 30, 2006

Amar não é verbo, é luz lembrada...
Guimarães Rosa

Há sempre o seu quê de loucura no amor;
mas também há sempre
o seu quê de razão na loucura.
Nietzsche

"Eu tenho sempre uma espécie de dever,
de dever de sonhar. de sonhar sempre,
pois sendo mais do que uma espectadora de mim mesma,
Eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E assim me construo a ouro e sedas,
em salas supostas, invento palco, c
enário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis
"Fernando Pessoa

segunda-feira, agosto 28, 2006

Horas, horas sem fim,
pesadas, fundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas
sejam mudas.
Até que uma
pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro
me saia da garganta
e no silêncio desapareça.
Eugénio de Andrade

...onde pisas no chão minha alma salta

e ganha liberdade na amplidão...

(O Quereres, Caetano Veloso)

O luar, é a luz do Sol que está sonhando

Mario Quintana

Se tudo pode acontecer
Arnaldo Antunes, Paulo Tatit, Alice Ruiz e João Bandeira
*
Se tudo pode acontecer
Se pode acontecer qualquer coisa um deserto
florescer uma nuvem cheia não chover
Pode alguém aparecer e acontecer de ser você
um cometa vir ao chão um relâmpago na escuridão
E a gente caminhando de mão dada de qualquer maneira
eu quero que esse momento dure a vida inteira
e além da vida ainda de manhã no outro dia
se for eu e você se assim acontecer

Há sempre o seu quê de loucura no amor;

mas também há sempre o seu quê de razão na loucura.

Nietzsche

O amor é uma companhia.

Já não sei andar só pelos caminhos,

Porque já não posso andar só.

Um pensamento visível

faz-me andar mais depressa

E ver menos, e ao mesmo tempo

gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é

uma cousa que está comigo.

E eu gosto tanto dela

que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e

sou forte como as árvores altas.

Mas se a vejo tremo,

não sei o que é feito

do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer

força que me abandona.

Toda a realidade olha para mim

como um girassol

com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro


quinta-feira, agosto 24, 2006


É preciso sofrer depois de ter sofrido,
e amar, e mais amar,
depois de ter amado
(Guimarães Rosa).

Seria talvez a tarde morna
por sobre a pele quieta
ou simplesmente
uma suave vontade de carinho?
seria essa distância
indesejada ou nada disso
– apenas a constância
a incessante, intensa
a persistente instância
do desejo que se disfarça,
oculta fantasia
e todo dia, mutante,
se anuncia nessa
lembrança viva de teu beijo?

em filigrana
teus álibis desenham
rendas de luz
que te abençoam
e ocultam e ferem
como agulhas
quem te busca
teu coração
tapete bem tecido
jamais se expõe ao sol
e multicolorido jaz
secreto em teu
palácio de sonho
reconfortado ao cântico
dos ventos em teu
particular deserto

terça-feira, agosto 08, 2006

Vento solar e
estrelas do mar
um girassol da cor
do seu cabelo...


Crepúsculo
O Sol ia afundando,
pouco a pouco,
no oceano ...
Não se deixou,
porém, impressionar
...porque sabia
que a Terra
era redonda ...
e ele não estava assim
propriamente afundando,
mas rolando
pro lado de lá ...

Quero morrer nos braços de um poema livre
e despertar nas telas de um velho soneto
na espera de que a mão da noite
não me prive das luas e emoções
da letra em branco e preto.
Não quero a proteção do acaso
ou do destino, que sempre me negaram o
verso completo, apenas a ilusão, o sono,
o sonho e o tino para voar ao
encontro de um canto de afeto.
Flores de laranjeiras, sombras de pomares,
cheiro de terra verde, orvalhos,
madrugadas e a liberdade,
enfim, para explodir estradas...
Sem rumo e tempestades,
navegar por mares onde as canções de amor
para a mulher amada são mais do que canções...
São pétalas do nada!
Nathan de castro
...e a Mãe Natureza me oferecia abrigo,
longe dos Homens, perto de Deus...
E nesse abrigo eu era ave, flor, terra, mar...
eu era comunhão contigo...
Poesia III
Vicente de Carvalho


Belas, airosas, pálidas, altivas,
como tu mesma, outras mulheres vejo:
são rainhas, e segue-as num cortejo
extensa multidão de almas cativas.
Têm a alvura do mármore; lascivas formas;
os lábios feitos para o beijo;
e indiferente e desdenhoso as vejo belas,
airosas, pálidas, altivas...
Por quê? Porque lhes falta a todas elas,
mesmo às que são mais puras e mais belas,
um detalhe sutil, um quase nada:
falta-lhes a paixão que em mim te exalta,
e entre os encantos de que brilham,
falta o vago encanto da mulher amada.

segunda-feira, agosto 07, 2006



Se se morre de amor!
- Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n'alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve e no que vê prazer alcança!
Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d'amor arrebentar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio
Devaneio, ilusão, que se esvaece
Ao som final da orquestra, ao derradeiro
Clarão, que as luzes ao morrer despedem:
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
D'amor igual ninguém sucumbe à perda.
Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração - abertos
Ao grande, ao belo, é ser capaz d'extremos,
D'altas virtudes, té capaz de crimes!
Compreender o infinito, a imensidade
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D'aves, flores,murmúrios solitários;
Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa alma
fontes de pranto intercalar sem custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes;
Isso é amor, e desse amor se morre!
Amar, é não saber, não ter coragem
Pra dizer que o amor que em nós sentimos;
Temer qu'olhos profanos nos devassem
O templo onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis d'lusões floridas;Sentir,
sem que se veja, a quem se adora,
Compreender, sem lhe ouvir,
seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!

quinta-feira, agosto 03, 2006

PERMANEÇO.
Este medo de sentir...
Esta dor que não o é ainda...
Esta cruz que se carrega
E essa entrega que tarda...
Luz difusa que te esconde...
E profusa vai onde
Mais ninguém pode ir...
Apenas eu permaneço
No escuro e eisque só desço,
Bem fundo, No poço
Que não posso Ignorar...
pois...Porque não esqueço...
Continuo a amar...



Levarei se assim quiseres
Até meu esconderijo.
Teus temores, tuas dores.
Juntaremos nossos medos,
Deixaremos escondidos - e à noite
Os tornaremos alheios.
Vamos subir nessa torre
E assobiá-los ao vento.
Juntaremos nossa sorte,
Para acatar uma barca
E remaremos, sem remorso.
Esconderei teus dados
Para que fiques ao léu
E te darei umas flores
Que a sorte é grande,
Que a sorte pode...
Não precisas papel...
Assim, seguro mas solto
Terás a brisa no encontro,
Te levarei numa tarde
E ficarás – se quiseres
Te esconderás , voarás
Verás comigo da torre
Agora nosso : o infinito.
Marieta C. Dobal



Chico Buarque - Lua Cheia
Ninguém vai chegar do mar
nem vai me levar daqui
nem vai calar minha viola
que desconsola,
chora notas pra ninguém ouvir
Minha voz ficou na espreita,
na espera,
quisera abrir meu peito,
cantar feliz
Preparei para você uma lua cheia
e você não veio, e você não quis
Meu violão ficou tão triste,
pudera,
quem dera abrir janelas,
fazer serão
Mas você me
navegou mares tão diversos
e eu fiquei sem versos,
e eu fiquei em vão

terça-feira, agosto 01, 2006

Canção do amor sereno
Lya Luft

Vem sem receio:
eu te recebo
como um dom
dos deuses do deserto
que decretaram minha trégua,
e permitiram
que o mel de teus
olhares me invadisse.
Quero que o meu amor
te faça livre,
que meus dedos
não te prendam
mas contornem o teu raro perfil
como lábios tocam
num anel sagrado.
Quero que o meu
amor te seja enfeite
e conforto, porto de
partida para a fundação
do teu reino,
em que a sombra
seja abrigo e ilha.
(Quero que o meu amor
te seja leve como
se dançasse numa
praia uma menina.)

segunda-feira, julho 31, 2006

De novo confundi a borboleta com a folha....

Por quantas vezes eu me vi na estrada
a confundir cristais com diamante...
Às vezes, penso que perdi o instante
do apaixonante sonho de alvorada.
Por quantas vezes vi, sem dizer nada,
o brilho de uma pétala distante...
Não fui ao seu encontro e, sempre errante,
vaguei um verso frio à madrugada.
Juntando pedras falsas e sonetos,
sigo a marcar as curvas do caminho...
E cumpro esse meu canto garimpeiro!
Talvez uma pepita entre os gravetos do tempo,
inda me traga à flor do ninho o encanto
de um brilhante verdadeiro!
Nathan Castro

Te trazer pra cá.....
sentir o sol,
te fazer girar
feito um girassol....

Tivesse eu os céus bordados em panos,
Envolvidos por luz dourada e prateada,
Azuis claros dia e noites escuros os panos,
Representando o dia e a noite enluarada,
Eu os espalharia sob seus pés;
Mas, sendo tão pobre, tenho apenas sonhos;
Espalhei então meus sonhos ao invés;
Caminhe suavemente sobre eles......
Willian B.

terça-feira, julho 25, 2006


Elis Regina - Quero
Quero ver o sol atrás do muro
Quero um refugio que seja seguro
Uma nuvem branca sem pó nem fumaça
Quero um mundo feito sem porta ou vidraça
Quero uma estrada que leve a verdade
Quero a floresta em lugar da cidade
Uma estrela pura de ar respirável
Quero um lago limpo de água potável
Quero voar de mãos dadas com você
Ganhar o espaço em bolhas de sabão
Escorregar pelas cachoeiras
Pintar o mundo de arco íris
Quero rodas nas asas do girassol
Fazer cristais com gota de orvalho
Cobrir de flores campos de aço
Beijar de leva a face da lua
Escuto o silêncio da noite.
Tem uma estrela que se veste de saudades.
Estrela do oriente. Estrela de muitas pontas.
Pontas que me tocam as entranhas com os dedos da mágica poesia.
Tem uma tenda de amor iluminada por velas dentro do meu olhar poeta.
Calo-me ao absurdo desse momento de morte súbita.
Não me vejo fera... Não a vejo bela.
Vejo apenas constelações desconhecidas e um imenso planeta de areias e desertos.
Não é sonho. É coisa de vida e espasmos do tempo.
Tempo que se revela presente nas estampas dos lençóis
perfumados pelas flores colhidas na estação.
Um verso de esperança invade a aldeia dos meus sonhos.
Tem um canto cigano brincando de escrever um véu de sete pétalas de incenso benzido,
pela deusa do amor, no meu poema torto e sem rima.
Eu vôo... Vôo ao encontro dessa galáxia de olhos indecifráveis.
Não conheço os trilhos desse caminho revestido de poemas,
mas gosto desse encanto de momentos lúgubres...
A dor da ausência do amor é mais forte do que as palavras,
mas sei um verso antigo e embebido pelas lágrimas dos ventos
e choro nas asas dos salmos desconhecidas dos meus dias.
Um choro de alívio, mesclado com poesia.
Vou paixão e vôo no instinto das madrugadas...
Com ou sem elas... Pássaro de mim.
Pássaro louco e apaixonado pelas letras nos fazeres da magia.
Do amanhã não sei as cores, mas sei a música de escrever:
- morri... De amor, morri... Sei os olhos dela no momento final da poesia que me habita.
Feitiço para aprender o vôo do amanhã
e beijar os lábios da nuvem que sorri
sobre o oásis inventado para o próximo encontro.

Nathan de Castro

quarta-feira, julho 12, 2006


Poema Transitório...
É preciso Partir
é preciso Chegar
é preciso Partir
é preciso Chegar...
Ah, como esta Vida é Urgente!...
no Entanto eu gostava mesmo
era de Partir...e - até Hoje -
quando acaso Embarco
para alguma Parte
acomodo-me no meu Lugar
fecho os Olhos e Sonho:
Viajar, Viajar
mas para parte Nenhuma...
Viajar Indefinidamente...
como uma Nave Espacial
Perdida entre as Estrelas.
[MARIO QUINTANA]

terça-feira, julho 11, 2006

Entorpeci meu devaneio.
Para que fosse só saudade,
A melancolia do meu coração.
Pois a distância imensa,
Arde na ponta do sorriso.
Só por simples provocação.
Essa minha dissimulação,
Dizendo que o amor extrapolou.
Extravasou o limite da paixão.
O que gira a causa.
Contemplando a pauta.
Com o verso mais lindo.
Porque a flor desabrochou.
Porque no teu perfume,
Vislumbrei o lume, outra vez.
No eco, do balbuciar da palavra,
Que da tua boca escapa.
Para fazer-me quebra-mar,
das tuas ondas.
G.Ferreira da Silva
ESPETÁCULO
A NATUREZA
DEUS DISFARÇADO
EM PÔR-DO-SOL

quarta-feira, junho 28, 2006

Noite foi sempre uma
palavra mágica,
lógica, distinta
colorida volátil e perpétua.
Como tu meu amor,
como o teu rosto,
que tem algo de nascer
e de sol posto.
.Por isso entendo que o teu tempo
fugaz mas lento tem o tempo de
um adejar de asa
como uma semibreve musical,
e quando o tempo passa,
como o vento,
toca no meu rosto e deixa-lhe,
como uma canção,
a marca da tua recordação.
"Do amor"
Tenho medo de ti e deste amor
Que à noite se transforma em verso e rima.
E o medo de te amar, meu triste amor,
Afasta o que aos meus olhos aproxima.
Conheço as conveniências da retina.
Muita coisa aprendi dos seus afetos:
Melhor colher os frutos da vindima
que buscá-los em vão pelos desertos.
Melhor a solidão. Melhor ainda
Enlouquecendo os meus olhos, o escuro,
Que o súbito clarão de aurora vinda
Silenciosa dos vãos de um alto muro.
Melhor é não te ver. Antes ainda
Esquecer de que existe amor tão puro.
HILDA HILST

Grande Borboleta
Caetano Veloso

A grande borboleta
Leve numa asa a lua
E o sol na outra
E entre as duas a seta
A grande borboleta
Seja completa-Mente
solta

terça-feira, junho 27, 2006


Seria bom se eu pudesse
romper a aurora,
mudar toda a história,
transformar os fatos,
ter tempo para discernir
criar, curtir um transe profundo,
adormecer, romper lembranças
desfazer ilusões
Silenciar o existir pra
renascer em outra essência
sem sentirem
minha ausência.

quinta-feira, junho 22, 2006

Represarei meus pensamentos,
Para que em mim se reflitam
As estrelas da noite
E as luzes da manhã...
Deixarei de correr entre campos e gargantas
Para sentir a carícia do vento
E refletir em minhas águas
Os píncaros nevados da montanha.
Represarei meus pensamentos
Para fixar o vôo dos pássaros,
A marcha das nuvens,
E o degelo das neves.
Deixarei de correr por vales e gargantas,
Se, na tranqüilidade de minhas águas,
Houver o espelho nítido e profundo
Onde se reflita o gesto de tuas mãos
E a graça do teu rosto.
Então adormecerei no fundo de mim mesmo
E sobre meus olhos abertos para a eternidade,
Os peixes vindos da noite
Tecerão filigranas indecifráveis,
Com o reflexo das escamas feitas de lua e sonho...
Paulo Bomfim

sábado, junho 17, 2006




Paulo Bomfim

Pela ponte de espuma
Chegaste.
Ignoro o além da praia,
O mundo que te gerou;
Se surgiste do seio do dia
Ou do grito da noite.
Reconheço-me apenas
No coral das unhas e da boca,
Nos olhos líquidos,
Na trança de sargaço.
Sei que flutuas em mim,
E teu corpo veste-se
De vozes;
No entanto,
Regressarás ao mundo
de areias brancas
E meu murmúrio será sal,
Brilhando em teus cabelos.

Para meu coração basta teu peito
para tua liberdade bastam minhas asas.
Desde minha boca chegará até o céu
o que estava dormindo sobre tua alma.
E em ti a ilusão de cada dia.
Chegas como o sereno às corolas.
Escavas o horizonte com tua ausência
Eternamente em fuga como a onda.
Eu disse que cantavas no vento
como os pinheiros e como os hastes.
Como eles és alta e taciturna.
e intristeces prontamente, como uma viagem.
Acolhedora como um velho caminho.
Te povoa ecos e vozes nostálgicas.
eu despertei e as vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam em tua alma.
Pablo Neruda

sexta-feira, junho 16, 2006

MELODIA SENTIMENTAL
(Heitor Vila-Lobos - Dora Vasconselos)
Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar
As asas da noite que surgem
E correm o espaço profundo
Oh, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar
Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor
Acorda, vem olhar a lua
Que dorme na noite escura
Querida, és linda e meiga
Sentir meu amor e sonhar
MÁSCARA!
Hoje não é dia de ser!
Hoje é dia de fingir que se é!
Hoje vou sair,
Tenho de me preparar e vestir
A condizer com aquilo
Que os outros esperam ver....
Por isso, hoje não é dia de Ser!
Hoje é dia de fingir que se é
O que nunca se foi...Para agradar,
Para não escandalizar,
Para não decepcionar.
Eu não queria ir
Pelo caminho do sonho
Mas quanto mais de mim ponho,
Menos faço todos sorrir.
Por isso a máscara pronta está,
Já se ouve a lira
E sou, como num palco
A personagem que rodopia e gira!
Sinto-me nua aqui neste chão,
só, entre as dunas,
pergunto ao mar
se tu virás...
e ele diz que não!
EU...
...tu, nós...
O sol,
o sentir que estamos sós
O doer longe
O querer não ser possível
A verdade inatingível...
Luz e sombra...
são assim nossos dias ...
Nús e vazios de nós!

terça-feira, junho 13, 2006

Quero esse amor


Para uma Noite cheinha de Amor!
olha os meus pássaros amor,
guia-te por eles e descobre dentro de ti
se é inverno ou primavera
pois já te presenteei com as tonalidades
turquesas da plumagem
dos mais delicados pássaros
vês? levam consigo a profundidade
tinta das águas, e o balbuciar
docinho dos céus limpos das tardes
sente no bater cadenciado das suas asas,
o aroma que fica dos poemas
depois de derramados
segue entre eles a brancura segredada
dos silenciosos cantos,
que não sei se ouvirás, ou quando
porque antes, será preciso que a caixa
ressonante do teu coração
esteja preparada
escuta dos seus biquinhos o som,
são guitarras que denunciam o ritmo
das tuas mais escondidas alegrias
lê no minúsculo colorido assaz
dos seus olhos, um quê das promessas,
maduras como os cristais
abre as portas e todas as janelas,
e recebe os meus pássaros de brisa,
frágeis, como cabelos de boneca
imagina em cada um desses mimos,
um querubim, e a minha vontade,
evoluindo como um beija-flor no ar
percebe neles, os vestidos e a tez
dos sóis, e aprecia a realidade
como é quando bonita de fato
guarda-os livres entre os jardins da casa,
para que eles te sigam
como girassóis de dias claros
pra ti, os meus pássaros levam nas asas
o mundo plano onde se perde a vista,
assim, alcança a minha mão
e adormece deitando os olhos,
no bosque sempre anil do teto do teu quarto,
onde por ti velarão os meus pássaros
independente do que se refletirá
amanhã, na correnteza dos céus
quando se espelham nas águas planas.
________________Cissa de Oliveira

segunda-feira, junho 12, 2006

A LUA NOS MEUS BRAÇOS

Tenho a alma repleta
De ternura sem dono.
Dá-me tua presença azul
E vem comigo sem medo
Percorrer a estrada do amor.
Vem embalar a lua
Nos meus braços nus,
Espiar a face das estrelas
Nos lagos noturnos
Formados nos meus olhos.
Tenho o coração transbordando
De ternura vadia.
Dá-me tua mão,
Caminhemos lado a lado,
Para que nossos passos
Risquem trilhas paralelas.
Vem comigo
Colher as rosas vermelhas
Que perfumam as estradas.
Amor, fecha-me os olhos
Em teus doces lábios.
Não me deixes pensar
Que além se oculta
A encruzilhada do nunca mais.
Maria Jania Teixeira
A minha poesia
não é senão nus sentimentos,
recônditas emoções,
todos saídos do meu coração.
Não é senão eu mesma,
levada ao teu conhecimento,
esperando teu reconhecimento.
Maria Jania Teixeira

domingo, junho 11, 2006

A silente flor de lótus
(Emanuel Geibel) Op. 13 Nº 6

A silente flor de lótus
Desponta do lago azul,
As folhas cintilam e flamejam,
O cálice é branco como neve.
Então, do céu verte a lua
Todo o seu precioso brilho,
Converge todos os seus raios
Para dentro do seu broto.
Na água, em torno da flor,
Circula um cisne branco,
Ele canta tão docemente,
tão leve e olha para a flor.
Ele canta tão docemente, tão leve
E quer passar cantando,
Oh, flor, branca flor
Você pode entender a canção?
PALAVRA POR DIZER

Só agora sou poetana
poesia que não escrevo
Só agora me transmito
Só agora me transcrevo
Eu silabo no teu corpo
a palavra que não digo


sexta-feira, junho 09, 2006

Um Beijo

que tivesse um blue.
isto é imitasse feliz a delicadeza,
a sua, assim como um tropeço
que mergulha surdamente
no reino expresso do prazer
Espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra
desde a escolha
debruçada no menu;
um peixe grelhado um namorado
uma água sem gás
de decolagem:
leitor ensurdecido
talvez embevecido "ao sucesso"
diria meu censor "à escuta"
diria meu amor sempre em blue
mas era um blue feliz
indagando só "what's new"
uma questão matriz
desenhada a giz entre um beijo
e a renúncia intuída
de outro beijo.
Ana Cristina Cesar

quarta-feira, junho 07, 2006


Porque me fascinam as asas?!
Asas...
Movendo-se ritmadas
Sem dono
Nem rumo
Entre o céu e o mar?
Era o que eu queria ser
- Um par de asas -
Sem corpo
Nem rosto
Nem mente
Jilieta Lima
Vem comigo
Ser pétala
Asa
Mais nada...
Vem
Seguir o vento...
Julieta Lima

Para o silêncio conjugar

Conjuguei verbos
para lhe alcançar
durante tantos dias
imaginei versos e melodias
para lhe dar asas
e voar para cá
aonde meus olhos procuram
insensatos razão para seguir
longe....e esperei você pousar
durante meu sono
amanhecendo sem pesadelos
Suas palavras
soltas em um pedaço
de qualquer coisa
me farão ouvir sua voz
Sua voz que ecoando
em meu abismo
de sonhos infantis
me emudece e declamo poesia
sem silêncio para você
Cinthia Souza Kaneyuki