quarta-feira, junho 28, 2006

Noite foi sempre uma
palavra mágica,
lógica, distinta
colorida volátil e perpétua.
Como tu meu amor,
como o teu rosto,
que tem algo de nascer
e de sol posto.
.Por isso entendo que o teu tempo
fugaz mas lento tem o tempo de
um adejar de asa
como uma semibreve musical,
e quando o tempo passa,
como o vento,
toca no meu rosto e deixa-lhe,
como uma canção,
a marca da tua recordação.
"Do amor"
Tenho medo de ti e deste amor
Que à noite se transforma em verso e rima.
E o medo de te amar, meu triste amor,
Afasta o que aos meus olhos aproxima.
Conheço as conveniências da retina.
Muita coisa aprendi dos seus afetos:
Melhor colher os frutos da vindima
que buscá-los em vão pelos desertos.
Melhor a solidão. Melhor ainda
Enlouquecendo os meus olhos, o escuro,
Que o súbito clarão de aurora vinda
Silenciosa dos vãos de um alto muro.
Melhor é não te ver. Antes ainda
Esquecer de que existe amor tão puro.
HILDA HILST

Grande Borboleta
Caetano Veloso

A grande borboleta
Leve numa asa a lua
E o sol na outra
E entre as duas a seta
A grande borboleta
Seja completa-Mente
solta

terça-feira, junho 27, 2006


Seria bom se eu pudesse
romper a aurora,
mudar toda a história,
transformar os fatos,
ter tempo para discernir
criar, curtir um transe profundo,
adormecer, romper lembranças
desfazer ilusões
Silenciar o existir pra
renascer em outra essência
sem sentirem
minha ausência.

quinta-feira, junho 22, 2006

Represarei meus pensamentos,
Para que em mim se reflitam
As estrelas da noite
E as luzes da manhã...
Deixarei de correr entre campos e gargantas
Para sentir a carícia do vento
E refletir em minhas águas
Os píncaros nevados da montanha.
Represarei meus pensamentos
Para fixar o vôo dos pássaros,
A marcha das nuvens,
E o degelo das neves.
Deixarei de correr por vales e gargantas,
Se, na tranqüilidade de minhas águas,
Houver o espelho nítido e profundo
Onde se reflita o gesto de tuas mãos
E a graça do teu rosto.
Então adormecerei no fundo de mim mesmo
E sobre meus olhos abertos para a eternidade,
Os peixes vindos da noite
Tecerão filigranas indecifráveis,
Com o reflexo das escamas feitas de lua e sonho...
Paulo Bomfim

sábado, junho 17, 2006




Paulo Bomfim

Pela ponte de espuma
Chegaste.
Ignoro o além da praia,
O mundo que te gerou;
Se surgiste do seio do dia
Ou do grito da noite.
Reconheço-me apenas
No coral das unhas e da boca,
Nos olhos líquidos,
Na trança de sargaço.
Sei que flutuas em mim,
E teu corpo veste-se
De vozes;
No entanto,
Regressarás ao mundo
de areias brancas
E meu murmúrio será sal,
Brilhando em teus cabelos.

Para meu coração basta teu peito
para tua liberdade bastam minhas asas.
Desde minha boca chegará até o céu
o que estava dormindo sobre tua alma.
E em ti a ilusão de cada dia.
Chegas como o sereno às corolas.
Escavas o horizonte com tua ausência
Eternamente em fuga como a onda.
Eu disse que cantavas no vento
como os pinheiros e como os hastes.
Como eles és alta e taciturna.
e intristeces prontamente, como uma viagem.
Acolhedora como um velho caminho.
Te povoa ecos e vozes nostálgicas.
eu despertei e as vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam em tua alma.
Pablo Neruda

sexta-feira, junho 16, 2006

MELODIA SENTIMENTAL
(Heitor Vila-Lobos - Dora Vasconselos)
Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar
As asas da noite que surgem
E correm o espaço profundo
Oh, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar
Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor
Acorda, vem olhar a lua
Que dorme na noite escura
Querida, és linda e meiga
Sentir meu amor e sonhar
MÁSCARA!
Hoje não é dia de ser!
Hoje é dia de fingir que se é!
Hoje vou sair,
Tenho de me preparar e vestir
A condizer com aquilo
Que os outros esperam ver....
Por isso, hoje não é dia de Ser!
Hoje é dia de fingir que se é
O que nunca se foi...Para agradar,
Para não escandalizar,
Para não decepcionar.
Eu não queria ir
Pelo caminho do sonho
Mas quanto mais de mim ponho,
Menos faço todos sorrir.
Por isso a máscara pronta está,
Já se ouve a lira
E sou, como num palco
A personagem que rodopia e gira!
Sinto-me nua aqui neste chão,
só, entre as dunas,
pergunto ao mar
se tu virás...
e ele diz que não!
EU...
...tu, nós...
O sol,
o sentir que estamos sós
O doer longe
O querer não ser possível
A verdade inatingível...
Luz e sombra...
são assim nossos dias ...
Nús e vazios de nós!

terça-feira, junho 13, 2006

Quero esse amor


Para uma Noite cheinha de Amor!
olha os meus pássaros amor,
guia-te por eles e descobre dentro de ti
se é inverno ou primavera
pois já te presenteei com as tonalidades
turquesas da plumagem
dos mais delicados pássaros
vês? levam consigo a profundidade
tinta das águas, e o balbuciar
docinho dos céus limpos das tardes
sente no bater cadenciado das suas asas,
o aroma que fica dos poemas
depois de derramados
segue entre eles a brancura segredada
dos silenciosos cantos,
que não sei se ouvirás, ou quando
porque antes, será preciso que a caixa
ressonante do teu coração
esteja preparada
escuta dos seus biquinhos o som,
são guitarras que denunciam o ritmo
das tuas mais escondidas alegrias
lê no minúsculo colorido assaz
dos seus olhos, um quê das promessas,
maduras como os cristais
abre as portas e todas as janelas,
e recebe os meus pássaros de brisa,
frágeis, como cabelos de boneca
imagina em cada um desses mimos,
um querubim, e a minha vontade,
evoluindo como um beija-flor no ar
percebe neles, os vestidos e a tez
dos sóis, e aprecia a realidade
como é quando bonita de fato
guarda-os livres entre os jardins da casa,
para que eles te sigam
como girassóis de dias claros
pra ti, os meus pássaros levam nas asas
o mundo plano onde se perde a vista,
assim, alcança a minha mão
e adormece deitando os olhos,
no bosque sempre anil do teto do teu quarto,
onde por ti velarão os meus pássaros
independente do que se refletirá
amanhã, na correnteza dos céus
quando se espelham nas águas planas.
________________Cissa de Oliveira

segunda-feira, junho 12, 2006

A LUA NOS MEUS BRAÇOS

Tenho a alma repleta
De ternura sem dono.
Dá-me tua presença azul
E vem comigo sem medo
Percorrer a estrada do amor.
Vem embalar a lua
Nos meus braços nus,
Espiar a face das estrelas
Nos lagos noturnos
Formados nos meus olhos.
Tenho o coração transbordando
De ternura vadia.
Dá-me tua mão,
Caminhemos lado a lado,
Para que nossos passos
Risquem trilhas paralelas.
Vem comigo
Colher as rosas vermelhas
Que perfumam as estradas.
Amor, fecha-me os olhos
Em teus doces lábios.
Não me deixes pensar
Que além se oculta
A encruzilhada do nunca mais.
Maria Jania Teixeira
A minha poesia
não é senão nus sentimentos,
recônditas emoções,
todos saídos do meu coração.
Não é senão eu mesma,
levada ao teu conhecimento,
esperando teu reconhecimento.
Maria Jania Teixeira

domingo, junho 11, 2006

A silente flor de lótus
(Emanuel Geibel) Op. 13 Nº 6

A silente flor de lótus
Desponta do lago azul,
As folhas cintilam e flamejam,
O cálice é branco como neve.
Então, do céu verte a lua
Todo o seu precioso brilho,
Converge todos os seus raios
Para dentro do seu broto.
Na água, em torno da flor,
Circula um cisne branco,
Ele canta tão docemente,
tão leve e olha para a flor.
Ele canta tão docemente, tão leve
E quer passar cantando,
Oh, flor, branca flor
Você pode entender a canção?
PALAVRA POR DIZER

Só agora sou poetana
poesia que não escrevo
Só agora me transmito
Só agora me transcrevo
Eu silabo no teu corpo
a palavra que não digo


sexta-feira, junho 09, 2006

Um Beijo

que tivesse um blue.
isto é imitasse feliz a delicadeza,
a sua, assim como um tropeço
que mergulha surdamente
no reino expresso do prazer
Espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra
desde a escolha
debruçada no menu;
um peixe grelhado um namorado
uma água sem gás
de decolagem:
leitor ensurdecido
talvez embevecido "ao sucesso"
diria meu censor "à escuta"
diria meu amor sempre em blue
mas era um blue feliz
indagando só "what's new"
uma questão matriz
desenhada a giz entre um beijo
e a renúncia intuída
de outro beijo.
Ana Cristina Cesar

quarta-feira, junho 07, 2006


Porque me fascinam as asas?!
Asas...
Movendo-se ritmadas
Sem dono
Nem rumo
Entre o céu e o mar?
Era o que eu queria ser
- Um par de asas -
Sem corpo
Nem rosto
Nem mente
Jilieta Lima
Vem comigo
Ser pétala
Asa
Mais nada...
Vem
Seguir o vento...
Julieta Lima

Para o silêncio conjugar

Conjuguei verbos
para lhe alcançar
durante tantos dias
imaginei versos e melodias
para lhe dar asas
e voar para cá
aonde meus olhos procuram
insensatos razão para seguir
longe....e esperei você pousar
durante meu sono
amanhecendo sem pesadelos
Suas palavras
soltas em um pedaço
de qualquer coisa
me farão ouvir sua voz
Sua voz que ecoando
em meu abismo
de sonhos infantis
me emudece e declamo poesia
sem silêncio para você
Cinthia Souza Kaneyuki