Ao cair da tarde
sábado, setembro 30, 2006
Ao cair da tarde
Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
segunda-feira, setembro 25, 2006
quarta-feira, setembro 20, 2006

Amo a Vida
Antes Antes que desça a noite
imprimir na retina
os rostos amados
o sol, as cores,
o céu de outono
e os jardins
da primavera
Inundar de sons
de vozes
e de música eterna
os ouvidos
antes que os atinja
a maré do silêncio
Conquistar os pontos
culminantes da vida,
antes que se esgote
o prazo de permanência
em seu território sagrado.
Helena Kolody
Se viesses... Se viesses e pousasses levemente
Os lábios sobre os meus,
Os meus luziriam como a gota de orvalho
Incendiada pela luz do sol nascente.
E quando os outros perguntassem,
surpreendidos:
Que luz é essa, tão linda,
Que põe colorido em tua face
E brilho em teu olhar?
Eu ficaria trêmulo e silencioso,
Emocionado e feliz
Lembrando que pousaste,
levemente
Os lábios sobre os meus.
Se viesses...
No entanto, bem amada,
ainda te escondes,
Ris da minha ansiedade
E não respondes...
Quando fecho as
pálpebras de manso,
Vens, como Vésper
na hora azul da tarde
E ficas a fulgir
em pleno céu distante..
Helena Kolody
quarta-feira, setembro 13, 2006

Sou barco à procura de porto bem calmo,
de cais que me abrigue de mil tempestades,
de águas serenas p´ra reparar casco
batido nas pedras de tantas saudades.
Nas águas revoltas de tanto oceano,
de dias e noites só vento nas velas,
sofri solidão, curti água e sal...
Procuro por gente e vida e estrelas.
Sou barco partido buscando descanso;
se em porto revolto não acho o abrigo,
remendo meu casco, viajo de novo,
talvez o oceano me indique o amigo.
A terra distante parece mais dócil...
E só, reparando-me as velas rompidas,
talvez voltem sonhos, e fé e esperança,
talvez novo porto me traga mais vida.
Maju Costas
MUITA CALMA NESSA HORA!!!!!!
roubar palavras
por aí
só pra te enfeitar de rosa
de rimbaud
tinta rubi
rima rupestre
na pele que a tua carne
veste
vi
oba oba baudelaire
roubar perfumes
por aí
e outras flores
roubar do tempo a tua hora
de partir
roubar paris só pra
você
os panos nobres que me sobraram
pra te enfeitar
o sonho no repeat
a cidade que já não existe
ruas calmas
aliás
outono e outro
outono
e outro
até demais
luz de cinema nos
quintais
roubar a cena
por aí
só
pra te assistir
sábado, setembro 09, 2006

você que sempre aparece
na minha praça
na minha
pressa
prece
você uma espécie
de meteorito
do tipo mais bonito
teleguiado
por outro
lado
você sempre
sem rede
na minha
queda
você na corda
bamba
papo sério
até parece
minério
na quebra
na quebrada
no caco da pedra vidrada
cerol
corte de sashimi na luz
do sol
até parece anzol
você bronze
na página
sol
cento e treze
vezes
sol
na comédia mais trágica de nossas
vezes
você nos verbos vestidos de branco
no suor azul
das paredes
e em todas as outras cores que me
deste
e quando de todas você
se despe
e até quando desaparece
você sempre aparece
até parece
uma espécie de flor
celeste
que só nos meus olhos
floresce
até parece
(uma espécie de flor celestial
que só floresce no meu
quintal)
até parece
sair da linha
sem pedir
licença
esquecer o ponto
e a sequência
das estações
costurar no escuro
agulhar
o medo
sangrar algum
segredo
fazer jus
na ponta dos dedos
agulhar um blues
dizer adeus
ainda é cedo
descansar
a cruz
sair do medo
sem pedir licença
esquecer o sol
aceso
estou pensando
domingo, setembro 03, 2006











