Se me queres,
tenta-me.
Há portas que estão
apenas aparentemente
fechadas.
Abre-as.
Uma delas dá acesso a
uma sala e dentro dela
há um piano.
Entra.
E toca-me.
Se teus dedos
produzirem
música,
terás
me aprendido.
*
Nalú Nogueira

Aqui me encontro.
Aqui as cores do céu são minha pele.
Aqui a água é meu corpo,
a terra meus cabelos.
Aqui tudo e nada sou em doses bem medidas.
Aqui todos me sentem mas ninguém me toca.
Aqui sou a imortalidade do tempo passado,
um rasgo de luz no céu estrelado.
Aqui, só aqui. E neste espaço infinito,
um querer que se esconde nos beijos guardados,
que me afoga e me devolve à vida,
um querer que vejo em teus olhos
me rouba de mim e me entrega ao mesmo instante,
pinta carmim no meu coração
um carmim intenso, imenso em cada batimento.
Aqui me quedo, pois é um bálsamo
para os venenos do mundo
e o teu amor é o mágico que tenho na alma
e me oferece o bem maior, a liberdade.
Estou aqui, sou aqui.
Raphaela Blat
**
Riem as pedras que correm do rio.
Rodopio, rodopio.
Balanço a cabeça
escutando a canção do mar.
Rodopio, rodopio.
Danço ao som
da visão do sol poente.
Pinto os olhos
da cor dos céu,
por vezes cinzento,
por vezes azul.
É a luz que oferece
ao meu olhar essa hipótese.
Choram as ondas vivendo
riem as flores do jardim
Será alfazema? será jasmim?
Não, é a beleza
de um amor perfeito,
nascido num seio de um quadro
que jamais fora pintado,
pois assim o enviaram os deuses
Raphaela Blat


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