terça-feira, setembro 04, 2007

06 Você, Voce.mp3

Você, você:

Que roupa você veste, que anéis?
Por quem você se troca?
Que bicho feroz são seus cabelos
Que à noite você solta?

De que é que você brinca?
Que horas você volta?
Seu beijo nos meus olhos, seus pés
Que o chão sequer não tocam
A seda a roçar no quarto escuro
E a réstia sob a porta
Onde é que você some?
Que horas você volta?
Quem é essa voz?
Que assombração
Seu corpo carrega?
Terá um capuz?
Será o ladrão?

Que horas você chega?
Me sopre novamente as canções
Com que você me engana
Que blusa você, com o seu cheiro
Deixou na minha cama?

Você, quando não dorme
Quem é que você chama?
Pra quem você tem olhos azuis
E com as manhãs remoça
E à noite, pra quem
Você é uma luz
Debaixo da porta?

No sonho de quem
Você vai e vem
Com os cabelos
Que você solta?
Que horas, me diga que horas, me diga
Que horas você volta?



sábado, setembro 01, 2007

segunda-feira, fevereiro 26, 2007


O blog, ele criou asas e voou
além dos pensamentos e das palavras..
para além do sonho..
perdoem os poetas, os jornalistas,
os compositores, os fotógrafos,
as doces palavras, os poemas
dos grandes nomes que estão aqui....
seus nomes estão aqui postados
sem pedir licença.
E eu me pergunto: quem nunca errou?
quem nunca fez alguma loucura por gostar

 demais de algo ou alguem?
Este é o meu
passatempo predileto e
é um prazer estar aqui e compartilhar.
Que nossas vidas sejam sempre movidas pelo encanto,
pela beleza das flores e sentimentos grandiosos.
Obrigada poetas queridos que me proporcionam
a riqueza de sentir...

Luiza...Luz&Arte



Li uma triste história de amor em mínimas linhas
e o poeta perdeu sua musa e sua voz.
Sei tanto dessas dores que nos arrancam pedaços,
que chorei um pouco.
Mas, também sei que, por mais que a mente e o corpo
se sintam abandonados acreditem,
amanhã começa tudo novamente,
na rua, na festa, na praia, na alma.
De repente, a vida volta!!
Então, lembrei-me dessa frase de Milan Kundera:
*
"O acaso tem suas mágicas.
Para que um amor seja inesquecível
é preciso que os acasos se juntem
desde o primeiro instante".


 agradeço a vida!

" Enlaçam-se as nossas mãos,
os nossos olhos se buscam.
Assim começa a história
do nosso coração
É por uma noite de junho
banhada de lua.......
Este amor, entre nós dois,
é simples como uma canção.
O teu véu cor de açafrão
atordoa os meus olhos.
A coroa de jasmins,
que estás tecendo
para a minha fronte,
alegra como um hino
o meu coração.
É um jogo alternado
de dons e de recusas,
de confissões e de mistérios,
de sorrisos e de timidez,
de doces lutas inúteis.
Este amor, entre nós dois,
é simples como uma canção.
Nenhum mistério,
para além do presente;
nenhum anseio
para o impossível;
apenas um puro encantamento.
Este amor, entre nós dois,
é simples como uma canção........"


Tagore

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

viver é discutir o indiscutível
inadequado e lírico
inexato exatidão rajada de impossível
viver é se entrevar
sobre os estorvos
conquistar montanhas
passo a passo tropeçar
e do tropeço refazer o espaço
é se afogar em fogo
renascer no berço brando do amor
e desse amor tantas vezes morrer
quantas for dado

olhei e vi essa imagem e a luz

que entraram juntas pela minha sala

e juntas me envolveram e me tiveram

a seu serviço desde então

a luz que ela irradia

a luz que enfim me acolhe

Cada pessoa é como um farol lançando luz em volta.

Precisamos das pessoas por causa de sua luz.

Mas se alguém de luz muito intensa esbarra em você

inesperadamente e o deixa meio cego,

enquanto durar o deslumbramento

você pode perder o rumo e até despencar no abismo.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Há rotas que semeamos na procura da verdade...
são os passos de luz que deixamos pela vida,
como traços digitais da nossa essência,
ainda que efémeros...

...memórias de outra galáxia ,

onde apenas sopram ventos de liberdade.

Onde os seres se ajudam nos seus processos vitais

sem se julgarem uns aos outros.

Onde não há nada a perdoar pois não há nada de que ter vergonha

nem nada que se considere uma ofensa.

Tomam as coisas simplesmente como fazendo parte do processo de viver.

Por conseguinte, são todos ligeiros como a brisa,

livres como o vento e etéreos como um beijo envolto em salpicos de espuma ébria de mar.

Os bons desejos dos habitantes dessa galáxia

podem ver-se em forma de flores azuis sobre uma guitarra.

Podem sentir-se à hora do alvorecer e ouvir-se no canto do vento

quando murmuram aos ramos das nuvens e às folhas das árvores das palavras,

segredos de luz...



Esvaziei-me de quase todas as tristezas,
mas deixei, intacta, uma esperança.
Soltei mágoas, presas em palavras
a que troquei as sílabas,
adoçando-as.
Coloquei ilhas de reticências
entre a vida e a dor.
Arrumei o mar no fundo dos olhos
e as asas à superfície da vontade.
E deixei espaço, muito espaço,
para reinventar os momentos
e me recriar.



"São como um cristal,as palavras.

Algumas, um punhal,um incêndio.

Outras,orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.

Inseguras navegam:

barcos ou beijos,as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,leves.

Tecidas são de luze são a noite.

E mesmo pálidas verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta?

Quemas recolhe, assim,

cruéis, desfeitas,nas suas conchas puras?"

Eugénio de Andrade

sábado, fevereiro 03, 2007

Memórias são páginas de emoção guardadas.
Pelos nossos cálices de abraços
escritas e assinadas.
Pedaços de saudades imortalizadas...
em brumas preservadas.
São vida revivida pelo coração em cada batida.
E tantas, tantas vezes, refúgio da solidão..
Quando o vazio do agora me causa arrepio...
Memórias não são histórias.
São reais, sinais, do que fomos e poderemos ser.
Das raízes do círculo sagrado,
que nunca em nós negámos ter.
São vitrais... desvendados portais...
Que se abrem a quem os souber entender.
Eu estou do lado de lá do cristal...
Ele é só ilusão...Se me quiseres sentir, tocar...
estende a mão.
Eu sou a tua memória tão próxima,
porém com raiz noutra dimensão.
Distante... a um sopro de olhar errante.
Desfocada, mas constante.
Resgata-me com o nó sem fim.
Quinta essência...
Sente-a em mim.
Viemos da mesma esfera...
E junto ao (m)ar vou ficar à tua espera...
(Até à sétima maré, da sétima lua , da sétima era...)

quarta-feira, janeiro 24, 2007

12 Imagina - Chico...


Quem sabe voar
abraça os sonhos
é feito de céu
é testemunha involuntária
dos sons que flutua
mentre a melodia das estrelas
e do luar prateado
Quem sabe voar
traz n'alma a delicada
ingenuidade
do amanhecer
É feito de brandos
sussurros
e horizontes raros
Quem sabe voar
é calmaria
e temporal
É feito a pincel
tem um jeito danado
de armadilha e pecado
de palavra ao leu.
*
Andréa Mota

Há um desejo que me consome

quando pronuncio teu nome.

Inquieta percorro jardins

onde lírios, orquideas e jamins
semeam milhares de feitiços.

Mas tenho o corpo fechado,

os tecidos oxigenados,

sonho sem compromisso
com tua pele cabocla

mãos, pés, corpo,boca

sem leviandades,em plena festa.
Quando clareia esta chama

de ritmos e acordes

sem fazer-me de rogada

só persiste uma verdade
a de escorregar entre dígitos

e silente

escrever, escrever,escrever...

A.Motta

E na Tua presença, que me preenche os vazios,
na água sagrada, corrente na veia dos rios,
eu elevo uma única prece...
Que eu saiba sempre encontrar o trilho até Ti...
Sete Caminhos cruzados,
sete elementos com o TODO partilhados.
Que não retorne ao que já percorri.Que os meus passos sejam de VIDA.
Que a minha busca ousada seja permitida.
Dá-me a sabedoria de intuir,da energia deixar fluir.
Luz- SOL- Fogo e Brilho - LUA - Resplendor,
anfitriões da alegria fértil e jamais da dor.
Duas faces do TODO...
UNO
ao encontro predispostos
e nunca opostos.
Conduz o meu pensamento,
como criança confiante,
até ao coração da verdade com que me dou.
EU SOU.
E nos momentos de solidão...
mostra-me que nem sempre um sim
é melhor do que um não.
Que o círculo sagrado se complete e me fortaleça.
Que a força do Universo,
que eu canto em cada música de palavra feita verso,
me toque com a leveza do vento,
a profundidade do mar,
a estabilidade da Terra,
a firmeza da rocha.
Que assim aconteça.
Que assim seja, que assim se faça!
Assim já É.

domingo, janeiro 21, 2007

O amor é uma palavra de luz,
escrita por uma mão de luz,
sobre uma página de luz
como essa.....
 
Dever de Sonhar


Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas
supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis.






Fernando Pessoa


sábado, janeiro 20, 2007

Soltam-se pássaros das minhas mãos...
vontades, sonhos, ânsias, anulados 'nãos'.
Seguem a rota da lua crescente,
deusa em fase de maré silenciosa,
dor dormente...
porém latente.
Rasgam o azul e libertam a cor que,
em ondas de memórias,
se multiplica e eleva...
E me leva...
Até ao infinito vertical.
Princípio do princípio do princípio...
suspenso...
atemporal...
Onde não se julga o bem
nem se condena o mal.
Coexistência da perfeição,
do duo agora uno,
do TOTAL.

Na boca ficou por dizer

o que não era necessário...

E o teu ser soube-me tocar,

mulher desperta,

emoção liberta...

O meu sentir...

para ti,

por ti...

como porta aberta.

Eu amanheço...
Eu vejo-te...
Eu escrevo-te
e recrio-te...
Eu reconheço...
Eu agradeço.
E sorrio,
perante a verdade
que sempre
esteve em mim.
Momento de
às dúvidas pôr fim.
Frio
O mar
Por entre o corpo
Fraco de lutar
Quente,
O chão
Onde te estendo
Onde te levo a razão.
Longa a noite
E só o sol
Quebra o silêncio,
Madrugada de cristal.
Leve, lento, nu, fiel
E este vento
Que te navega na pele.
Pede-me a paz
Dou-te o mundo
Louco, livre assim sou eu
(Um pouco +...)
Solta-te a voz lá do fundo,
Grita, mostra-me a cor do céu.

Se eu fosse um dia o teu olhar,
E tu as minhas mãos também,
se eu fosse um dia o respirar
E tu perfume de ninguém.
Se eu fosse um dia o teu olhar,
E tu as minhas mãos também,
se eu fosse um dia o respirar
E tu perfume de ninguém.

Sangue,
Ardente,
Fermenta e torna aos
Dedos de papel.
Luz,
Dormente,
Suavemente pinta o teu rosto a
pincel.
Largo a espera,
E sigo o sul,
Perco a quimera
Meu anjo azul.
Fica, forte, sê amada,
Quero que saibas
Que ainda não te disse nada.

Que o longo seja de um curto sentir.
Que tudo seja leve de tal forma
que o tempo nunca leve

todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando
a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.
Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.
Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.
Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos atos que vivi,
Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.
*
Sophia de Mello Breyner Andersen


Há silêncios que deslizam
das velas das luas marinheiras.
E oferecem, aos meus olhos de (a)mar,
a rota dos faróis
com ninhos de voos para Sul.
E mapas de ilhas
com carícias de ventos quentes
e abraços de água doce...


 


«Mis palabras llovieron sobre ti acariciandote.
Amé desde hace tiempo tu cuerpo de nácar soleado.
Hasta te creo dueña del universo.
Te traeré de las montañas flores alegres, copihues,
avellanas oscuras, y cestas silvestres de besos.
Quiero hacer contigo
lo que la primavera hace con los cerezoz»
Pablo Neruda
Que o breve seja de um longo pensar.
Pede-me a paz
Dou-te o mundo
Louco, livre assim sou eu
(Um pouco +...)
Solta-te a voz lá do fundo,
Grita, mostra-me a cor do céu.

Todos...Todos nós esperamos que o AMOR nos aconteça e nos envolva e nos torne naqueles seres especiais, iluminados, de que milhares de canções, de poemas e de palavras soltas falam. Acreditamos que o Amor é redentor, que tudo limpa, recicla: os encontros e desencontros na vida, que nos abriram feridas e deixaram cicatrizes... os desamores. Acreditamos que o Amor é o sentido último de todas as coisas e nele encontraremos refúgio e abrigo, tranquilidade e emoção, uma casa no cimo de uma falésia contemplando a vida e um abraço quente e feliz. Acreditamos que o Amor é corporalizado, que vive numa outra pessoa que tem um toque mais doce, um encaixe mais compatível, um olhar em que se pode mergulhar, um sorriso que nos devolve a serenidade, a confiança e a convicção de que tudo vale a pena. Acreditamos que o Amor é perene, intenso, grandioso e incondicional. Do Amor fazemos o lugar derradeiro da esperança e da celebração da vida. É ele que esperamos, é ele que nos dará brilho, é ele que nos endeusará e nos fará conhecer a transcendência. Do Amor, esse estado de graça, essa loucura privada... espera-se tudo. Parece que o Amor, esse imenso Amor a que se aspira, que tudo justifica... é mesmo mágico.Esperamos, todos, ser envolvidos nessa magia. Mesmo que de leve...muito leve e que me eleve...

Esta paisagem contêm todas as letras
de todas as palavras,
de todas as frases
de todos os pensamentos...


nada é pequeno no amor

aqueles que esperam

grandes ocasiões

para demonstrar

a sua ternura

nao sabem amar.

num deserto sem água

numa noite sem luar

num país sem nome

ou numa terra nua

por maior que seja

o desespero

nenhuma ausência

é mais funda

do que a tua.

sophia de mello breyner

quarta-feira, janeiro 17, 2007


nalgum lugar em que eu nunca estive,
alegremente além
de qualquer experiência,
teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil
há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar
porque estão demasiado perto
teu mais ligeiro olhar
facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos,
nalgum lugarme abres sempre
pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente)
a sua primeira rosa
ou se quiseres me ver fechado,
eu e minha vida
nos fecharemos belamente,
de repente,
assim como o coração desta flor
imagina a neve cuidadosamente
descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber
neste universo igual
ao poder de tua imensa fragilidade:
cuja textura compele-me
com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre
cada vez que respira
(não sei dizer o que há em ti que fecha e abre;
só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda
que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva,
tem mãos tão pequenas

e.e cummings

Cinza e sol
*
Pode ser leve
e ter sol
Aquele raio que faz o arco-íris na garoa
Pode ser breve
e ser só
Aquele beijo que faz a tua vida ser boa
Pode ser louco
e talvez
quando a razão se distrai e vaga por aí à toa
Pode ser pouco essa vez
mas suficiente para que eu seja a pessoa
que pinta o seu cinza de sol
que acende a luz do farol
que embebe o teu coração
para que ele chova no abraço da minha mão
Pode ser brasa
ou carvão
Pode ser sim
que vira não
Pode ser casa
ou galpão
Ou ser até dormir no chão
Pode ser gelo
ou zelo
desvelo
paixão
O que importa é que
sempre pode ser
e poder ser é que me dá inspiração
para pintar seu cinza de sol
acender luz, ser seu farol
embebedar seu coração
para que ele dance solto
na palma da minha mão
Pode ser nuvem
e passar
Pode ser brisa
e voar
pode ser terra
e brotar
e poder ser é minha asa
e meu corpo é tua casa
o meu tom é tua cor
arco-íris quando chove a tua dor