quarta-feira, dezembro 27, 2006

02- Outros Sonhos ...

Não estejas longe de mim um só dia,
porque como, porque, não sei dizê-lo,
é comprido o dia,
e te estarei esperando como nas estações
quando em alguma parte dormitaram os trens.
Não te vás por uma hora porque então
nessa hora se juntam as gotas do desvelo
e talvez toda a fumaça que anda buscando casa
venha matar ainda meu coração perdido
Ai que não se quebrante tua silhueta na areia,
ai que não voem tuas pálpebras na ausência:
não te vás por um minuto, bem-amada,
porque nesse minuto terás ido tão longe
que eu cruzarei toda a terra perguntando
se voltarás ou se me deixarás morrendo.
Pablo Neruda
... O sol descreve o romance do encontro co’as estrelas,
e o Verso abraça a noite do planeta...
O instante é primoroso,
o olhar tão breve,
que o lusco-fusco,
a brisa e as aquarelas
não cabem nas palavras de um poeta.
"diz agora a palavra que cala
essa ânsia da alma
infinitos segundos
minutos e horas
diz pra mim uma prece
sem pressa que acalme a espera
desse início sem meio nem fim
fala tudo sem meias verdades
sem metáforas/
imagens sobre caminhos
atalhos e rumos
sussurra ao vento
como aplacar a ferida
nessa urgência de vida
enquanto o instante
é apenas um grito"
Luiz Fernando Prôa

quinta-feira, dezembro 21, 2006


...Quando chega o Natal
Também vestimos a alma
De cores especiais
E a nossa voz se eleva
Para acima de qualquer treva
E desejamos a todos
Votos de tantas coisas
Boas de acontecer...
Dos que necessitam de esperança
E querem levar alegrias
Pelo menos uma vez ao Ano
Para que os homens não desistam
De renovar seus sonhos
E de aproximar os que sonham.

(Clevane Pessoa de Araújo Lopes)

quarta-feira, dezembro 20, 2006

«(..) Amar, e não saber, não ter coragem
Para dizer que amor que em nós sentimos;
Temer qu'olhos profanos nos devassem
O templo, onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis, d'ilusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compr'ender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!(..)»
Gonçalves Dias

«Não é verdade a tua solidão.

A um canto, do lado de fora,

meu coração espera:

fênix dolorosa, consome-se e renasce,

fiel.

Quem sabe,

quando abrires uma fresta em tua porta,

te alegrarás vendo-o aí,

guardando essa luz que se alastrará

por rios sem fim de uma geografia desconhecida:

e só os escolhidos entenderão.»

Lya Luft

«Valeu a pena?

Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu .»

Fernando Pessoa


"A dor de não amar será como o veneno da serpente,
que mata assim, quase de repente?
Não, a dor de quem não ama é fria morte lenta,
é um afogar-se em degelos glaciais e, dia a dia,
sentir o coração parando aos poucos,
até o ser inteiro se desfazer em transparências.
Ah... mas a alegria de amar é tão diferente!
É mergulhar no riso mais contente,
morder um chocolate que se dissolve na língua,
saborosamente, ora doce, ora amargo, sempre surpreendente!
E mesmo o amor não correspondido é preferível ao inexistente,
pois a dor de não ter a pessoa amada, ainda que seja dor profunda,
desesperada, ao menos mantém a alma quente..."

quarta-feira, dezembro 06, 2006


"Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina." Cora Coralina.

Para um amigo tenho sempre um relógio

esquecido em qualquer fundo de algibeira.

Mas esse relógio não marca o tempo inútil.

São restos de tabaco e de ternura rápida.

É um arco-íris de sombra, quente e trémulo.

É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.
ANTÓNIO RAMOS ROSA



Sentado quietamente,
Nada fazendo,
A primavera vem,
A grama cresce por si.
— Zenrin Kushû

terça-feira, novembro 21, 2006

02. marisa monte -...

Marisa Monte

Há um vilarejo ali
Onde Areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão
Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão

Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá
Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real
Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá

Vem andar e voa

Vem andar e voa

Vem andar e voa

Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar
Em todas as mesas, pão

Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for

Vem andar e voa

Vem andar e voa

Vem andar e voa

Vem andar e voa




A Grande Viagem
Toquinho
O mar tem muito mistério,
A vida muito segredo.
O mar às vezes assusta
E a vida dá medo.
A gente é só marinheiro,
A vida é como o oceano.
O mar tem barco-fantasma,
A vida desengano.
O mar é pura aventura,
A vida é a grande viagem.
Por isso o mar tem quimera
E a vida miragem.
O mar é estrada comprida,
A vida é um barco no mar.
O mar vai dar em que vida?
E a vida onde é que vai dar?


Nesta vida, em que sou meu sono
Álvaro de Campos



NESTA vida, em que sou meu sono,


Não sou meu dono,


Quem sou é quem me ignoro e vive


Através desta névoa que sou eu


Todas as vidas que eu outrora tive,


Numa só vida.


Mar sou; baixo marulho ao alto rujo,


Mas minha cor vem do meu alto céu,


E só me encontro quando de mim fujo.


Quem quando eu era infante me guiava


Senão a vera alma que em mim estava?


Atada pelos braços corporais,


Não podia ser mais.


Mas, certo, um gesto, olhar ou esquecimento


Também, aos olhos de quem bem olhasse


A Presença Real sob disfarce


Da minha alma presente sem intento.

quarta-feira, novembro 15, 2006

O que será ( a flor da pele) C. Buarque
O que será que me dá Que me bole por dentro,
será que me dá Que brota à flor da pele,
será que me dá
E que me sobe às faces e me faz chorar
E que me salta os olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz implorar
O que não tem medida nem nunca terá
O que não tem remédio nem nunca terá
O que não tem receita O que será que será,
que dá dentro da gente que não devia
Que desconcerta a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso nem nunca terá
O que não tem cansaço nem nunca terá,
o que não tem limite
O que será que me dá, que me queima por dentro,
será que me dá Que me perturba o sono,
será que me dá Que todos os tremores me vem agitar
Que todos os ardores me vem atiçar
Que todos os suores me vem encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a chamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem governo nem nunca terá,
o que não tem juízo

à tua espera
todo contorno
toda matéria
ativam seus limites
hoje sei que vens:
há em cada gesto a
contenção do impulso
e todo olhar fica em segundo plano
há uma esperança da pele
um arrepio
e um tumulto alastrado
nos sentidos
a abrir suas flores
hoje
vou muito além daqui
e ainda que não chegasses
eu já teria te acolhido
em mim
**
A.Amorim

Acho que a felicidade é estar atento
a novos ângulos de si mesmo e dos outros
e inventar outros meios... em filigrana
teus álibis desenham
rendas de luz
que te abençoam
e ocultam
e ferem como agulhas
quem te busca

procuro a paz que existe nas palavras
teimosamente
e às vezes é preciso raspar
tantas camadas de pinturas sobrepostas
que quase desisto
palavras muito limpas e polidas
costumam cintilar como as estrelas
existe paz nas estrelas?
A.Amorim
Um lapso...um momento!
Uma lembrança que não cessa,
...não se perde!
Um passo,...rumo ao vazio,
Que não se identifica!
Apenas se aproxima...e ironiza!
Você...Meus passos...
Rumo ao que será!
Um dia, descalça,
...andando pela paisagem.
Ah! Você...Vai estar lá!
Você...Uma só palavra
Não será preciso mais!
...o tempo deixando ponteiros aflitos!
E você então...
Será nós no tempo de sempre!
Sem adeus,
...formalidades!
A vida, Essa marcha lenta,
Que não se apressaPassado,
Presente, Futuro, Nem hoje...
Tão pouco amanhã!
Apenas o momento (certo).
E eu não me convenço!
E tudo desperta,
...não quando eu desejo!
Desejos são ansiosos demais...
Precisam acontecer antes do tempo,
...nunca no tempo de hoje!
Sempre no tempo de ontem...
É preciso calma!
Respiração...
Uma pausa!
E então?

quanto tempo???
é assim simples assim
olhando da janela borboleta pra mim
falou que eu precisava entender
a dor que eu escolhia a sofrer

o espaço que eu precisava preencher
de amor que um dia eu pude ter
é assim simples assim.....


quarta-feira, novembro 08, 2006

Quem sabe vivemos enquanto isto?
Independente das dores ou dos fardos
que nos toca carregar, viver é preciso.
Quem sabe colocando uma ótica nova no horizonte
ele vire um arco íris com direito a tesouro?
Porque viver é preciso...
Melhor o ardor que a dor,
o impulso que o refluxo Viver é preciso.
Como o correr das horas, o correr dos rios,
o nascer e o renascer.
Porque se não nos molharmos,
se não nos queimarmos,
se não arriscarmos,
seremos eternas bolhas insossas flutuantes.
Enquanto tudo acontece viver é preciso.
**
Clarice

As mágoas acumuladas transparecem em nosso olhar ,
marcam nosso rosto e acabam por moldar nossa existencia...
e por mais que se tente disfarçar ,
os outros percebem pelo olhar, pela expressão,
pela postura, pelo tom de voz,
enfim não há máscara que esconda o que se leva n´alma.
lembrar - perdoar é se libertar!!

é engraçado como o cinza chega fácil...
Mario Quintana
"O que mata um jardim não é o abandono...
o que mata um jardim é esse olhar vazio de quem por ele passa indiferente."

"Escrever nem uma coisa nem outra a fim de dizer todas ou,

pelo menos , nenhumas.

Assim, ao poeta faz bem desexplicar tanto quanto escurecer acende os vagalumes. "

Manoel de Barros


~ Minha canção ~
Minha canção te envolverá com sua música,
como os abraços sublimes do amor.
Tocará o teu rosto como um beijo de graças.
Quando estiveres só,
se sentará a teu lado e te falará ao ouvido.
Minha canção será como asas
para os teus sonhos
e elevará teu coração até o infinito.
Quando a noite escurecer o teu caminho,
minha canção brilhará sobre ti
como a estrela fiel.
Se fixará nos teus lindos olhos
e guiará teu olhar até a alma das coisas.
Quando minha voz se calar para sempre,
minha canção te seguirá em teus pensamentos.
***
Tagore

Tô relendo minha lida,
minha alma, meus amores
Tô revendo minha luta,
minha vida, meus valores
Refazendo minhas forças,
minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas,
minhas faces, minhas flores
Tô limpando minha casa,
minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa,
minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas,
meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas,
meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim
[Vander Lee]

sábado, novembro 04, 2006

Não há barulho maior,
que o do silêncio,
nele estão contidos,
todas as palavras,
carregadas de todos os sentimentos,
impregnadas de vida,
paradas no tempo,
estáticas na memória,
e com ruído de gente,
ali, prontas para a vida vivida.
Ali, invadindo a qualquer momento.
Em muitos momentos
é mais fácil suportar a voz,
o choro,o grito, a gargalhada,
que o silêncio.
Mas outras vezes ele é nosso aliado,
pode nos poupar,
ou pode até nos conter.
A vida que começa com
o romper do silêncio,
com o choro,
acaba com o silêncio
inegável da morte,
e o silêncio mortal
é o que mais fala,
tem as palavras
e os sentimentos,
de quem morre
e de quem fica.
Em verdade,o silêncio...
É nossa frase mais completa."

Autora: Augusta Melo
"Dentro do homem
mora um anjo
e uma fera
O anjo guarda a fera
tão bem escondida
como a fera guarda
o anjo.
Quando o anjo se ilude,
quem ama é a fera.
Quando a fera se fere
quem se machuca é o anjo.
Na constância do verbo
quem padece é o homem
por causa do anjo,
por causa da fera."

Chico Poeta
“Em cada gesto perdido
Tu és igual a mim
Em cada ferida que sara
Escondida do mundo
Eu sou igual a ti

Fazes pinturas de guerra
Que eu não sei apagar
Pintas o sol da cor da terra
E a lua da cor do mar

Em cada grito de alma
Eu sou igual a ti
De cada vez que um olhar
Te alucina e te prende
Tu és igual a mim

Fazes pinturas de sonhos
Pintas o sol na minha mão
E és mistura de vento e lama
Entre os luares perdidos no chão
Em cada noite sem rumo
Tu és igual a mim
De cada vez que procuro
Preciso um abrigo
Eu sou igual a ti
Faço pinturas de guerra
Que eu não sei apagar
E pinto a lua da cor da terra
E o sol da cor do mar

Em cada grito afundado
Eu sou igual a ti
De cada vez que a tremura
Desata o desejo
Tu és igual a mim

Faço pinturas de sonhos
E pinto a lua na tua mão
Misturo o vento e a lama
Piso os luares perdidos no chão”

Mafalda Veiga – Tatuagens

“Nunca são as coisas mais simples
que aparecem quando as esperamos.
O que é mais simples, como o amor,
ou o mais evidente dos sorrisos,
não se encontra no curso previsível da vida.
Porém, se nos distraímos do calendário,
ou se o acaso dos passos nos empurrou
para fora do caminho habitual,
então as coisas são outras.
Nada do que se espera transforma
o que somos se não for isso:
um desvio no olhar;
ou a mão que se demora no teu ombro,
forçando uma aproximação dos lábios.”
**
Nuno Júdice

quarta-feira, novembro 01, 2006

Simplesmente te sei longe
De mim...Te espero...
mas tenho por certo
Que mesmo tão perto
Não virás jamais...
Meu coração
não sei porque
bate feliz
quando te vê....

livre...

mas volta

e pousa

em

mim





Eu Te Amo
Doces Barbaros
Eu nunca te disse
Mas agora saiba
Nunca acaba
Nunca o nosso amor
Da cor do azeviche
Da jabuticaba
E da cor da luz do sol
Eu te amo
Vou dizer que eu te amo
Sim, eu te amoMinha flor
Eu nunca te disse
Não tem onde caiba
Eu te amo
Sim, eu teamo
Serei par sempre
o teu cantor
«Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos,
na profunda imensidade do vazio
e a cada lágrima dos meus pensamentos.
Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
em todas as sombras que choram,
na extensão infinita dos tempos
até a região onde os silêncios moram.
Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
em todos os caminhos do medo,
na angústia da vontade perdida
e na dor que se veste em segredo.
Eu te amo
Em tudo que estás presente,
no olhar dos astros que te alcançam
e em tudo que ainda estás ausente.
Eu te amo
Desde a criação das águas,
desde a idéia do fogo e antes
do primeiro riso e da primeira mágoa.
Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa ,
até depois que o universo cair sobre mim
Suavemente.»
Adalgisa Nery

«Das coisas boas e belas que acabaram
nos vêm sempre uma luz e uma capacidade
de ver o mais banal com algum encantamento.
Essa é a secreta mirada que todo mundo pode ter,
mas que o acúmulo de compromissos,
o excesso de deveres,
a exigência de sermos cada vez mais
competentes e eficazes, talvez nos roube um pouco.
Esse secreto olhar cada um pode deixar vir à tona.
E a vida voltará a ser possível...»
Lya Luft

quarta-feira, outubro 25, 2006

A pena adormeceu no traço
um risco apenas no papel
casulo das palavras
segredos em travesseiros
no silêncio do quarto
o som do vôo da borboleta
mágica sinfonia de cores
pousa suave em teu pescoço
O sol passeia a língua
nos hemisférios
do corpo
lentamente
norte a sul
aquece a cor da pele
faz brilhar os olhos
cantar os músculos
madrugada
brinca a água viva
entre as folhas
penetra, alimenta
teu corpo terra
sorrisos florescem
na primavera