quinta-feira, agosto 31, 2006

Drink com você
só se for assim....
Tim Tim!
E que seu dia seja
MUITO FELIZ!!!

"O sol colorindo
É tão lindo,
é tão lindo
E a natureza sorrindo
tingindo,tingindo..."
AlvoradaCartola
Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo,
esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre
Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa
coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto
invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas tres dez cem mil
lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre
Itamar Assumpção e Alice Ruiz�
Vivemos sob o grande espelho.
O homem é azul!
Garcia Lorca
De tão abstrato,medra o medo.
De tão intenso, vaza.
De tão ausente,cala.
De tão perene, dorme.
De tão fugaz, evola.
De tão súbito,
brota.Sempre...

Quieto; muito em quieto a gente chama o amor:
como em quieto as coisas chamam a gente."
João Guimarães Rosa

quarta-feira, agosto 30, 2006

E se soprasse de leve uma brisa quase carinho
eu aceitaria o afago se a mão fluida de algum vento me levasse
num passeio dançaria em remoinhos iria girar sem chão
despida de pensamentos e abandonaria meu peso
na leveza desse momento

"Estou vivo e é por isso que o peito se desmancha contemplando,
o coração é que contempla o mundo e absorve matéria do infinito,
eu contemplando sou uma única e solitária visão,
no entanto soma-se a mim o indescritível e único ser do outro,
um contorno poderoso, uma outra vastidão de corpos,
frescor e sofrimento, mergulho no hálito de tudo que contemplo,
sou eu-teu-corpo ali, lançado às estrelas, sou no infinito,
sou em tudo por que meu coração-pensamento
existe em tumulto, espanto, piedade, te sabe, te contempla".
Hilda Hilst, Tu não te moves de ti.

"Cada
um sabe
a dor
e a delícia
de ser
o que é"
(Caetano Veloso
Amar não é verbo, é luz lembrada...
Guimarães Rosa

Há sempre o seu quê de loucura no amor;
mas também há sempre
o seu quê de razão na loucura.
Nietzsche

"Eu tenho sempre uma espécie de dever,
de dever de sonhar. de sonhar sempre,
pois sendo mais do que uma espectadora de mim mesma,
Eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E assim me construo a ouro e sedas,
em salas supostas, invento palco, c
enário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis
"Fernando Pessoa

segunda-feira, agosto 28, 2006

Horas, horas sem fim,
pesadas, fundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas
sejam mudas.
Até que uma
pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro
me saia da garganta
e no silêncio desapareça.
Eugénio de Andrade

...onde pisas no chão minha alma salta

e ganha liberdade na amplidão...

(O Quereres, Caetano Veloso)

O luar, é a luz do Sol que está sonhando

Mario Quintana

Se tudo pode acontecer
Arnaldo Antunes, Paulo Tatit, Alice Ruiz e João Bandeira
*
Se tudo pode acontecer
Se pode acontecer qualquer coisa um deserto
florescer uma nuvem cheia não chover
Pode alguém aparecer e acontecer de ser você
um cometa vir ao chão um relâmpago na escuridão
E a gente caminhando de mão dada de qualquer maneira
eu quero que esse momento dure a vida inteira
e além da vida ainda de manhã no outro dia
se for eu e você se assim acontecer

Há sempre o seu quê de loucura no amor;

mas também há sempre o seu quê de razão na loucura.

Nietzsche

O amor é uma companhia.

Já não sei andar só pelos caminhos,

Porque já não posso andar só.

Um pensamento visível

faz-me andar mais depressa

E ver menos, e ao mesmo tempo

gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é

uma cousa que está comigo.

E eu gosto tanto dela

que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e

sou forte como as árvores altas.

Mas se a vejo tremo,

não sei o que é feito

do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer

força que me abandona.

Toda a realidade olha para mim

como um girassol

com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro


quinta-feira, agosto 24, 2006


É preciso sofrer depois de ter sofrido,
e amar, e mais amar,
depois de ter amado
(Guimarães Rosa).

Seria talvez a tarde morna
por sobre a pele quieta
ou simplesmente
uma suave vontade de carinho?
seria essa distância
indesejada ou nada disso
– apenas a constância
a incessante, intensa
a persistente instância
do desejo que se disfarça,
oculta fantasia
e todo dia, mutante,
se anuncia nessa
lembrança viva de teu beijo?

em filigrana
teus álibis desenham
rendas de luz
que te abençoam
e ocultam e ferem
como agulhas
quem te busca
teu coração
tapete bem tecido
jamais se expõe ao sol
e multicolorido jaz
secreto em teu
palácio de sonho
reconfortado ao cântico
dos ventos em teu
particular deserto

terça-feira, agosto 08, 2006

Vento solar e
estrelas do mar
um girassol da cor
do seu cabelo...


Crepúsculo
O Sol ia afundando,
pouco a pouco,
no oceano ...
Não se deixou,
porém, impressionar
...porque sabia
que a Terra
era redonda ...
e ele não estava assim
propriamente afundando,
mas rolando
pro lado de lá ...

Quero morrer nos braços de um poema livre
e despertar nas telas de um velho soneto
na espera de que a mão da noite
não me prive das luas e emoções
da letra em branco e preto.
Não quero a proteção do acaso
ou do destino, que sempre me negaram o
verso completo, apenas a ilusão, o sono,
o sonho e o tino para voar ao
encontro de um canto de afeto.
Flores de laranjeiras, sombras de pomares,
cheiro de terra verde, orvalhos,
madrugadas e a liberdade,
enfim, para explodir estradas...
Sem rumo e tempestades,
navegar por mares onde as canções de amor
para a mulher amada são mais do que canções...
São pétalas do nada!
Nathan de castro
...e a Mãe Natureza me oferecia abrigo,
longe dos Homens, perto de Deus...
E nesse abrigo eu era ave, flor, terra, mar...
eu era comunhão contigo...
Poesia III
Vicente de Carvalho


Belas, airosas, pálidas, altivas,
como tu mesma, outras mulheres vejo:
são rainhas, e segue-as num cortejo
extensa multidão de almas cativas.
Têm a alvura do mármore; lascivas formas;
os lábios feitos para o beijo;
e indiferente e desdenhoso as vejo belas,
airosas, pálidas, altivas...
Por quê? Porque lhes falta a todas elas,
mesmo às que são mais puras e mais belas,
um detalhe sutil, um quase nada:
falta-lhes a paixão que em mim te exalta,
e entre os encantos de que brilham,
falta o vago encanto da mulher amada.

segunda-feira, agosto 07, 2006



Se se morre de amor!
- Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n'alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve e no que vê prazer alcança!
Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d'amor arrebentar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio
Devaneio, ilusão, que se esvaece
Ao som final da orquestra, ao derradeiro
Clarão, que as luzes ao morrer despedem:
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
D'amor igual ninguém sucumbe à perda.
Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração - abertos
Ao grande, ao belo, é ser capaz d'extremos,
D'altas virtudes, té capaz de crimes!
Compreender o infinito, a imensidade
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D'aves, flores,murmúrios solitários;
Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa alma
fontes de pranto intercalar sem custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes;
Isso é amor, e desse amor se morre!
Amar, é não saber, não ter coragem
Pra dizer que o amor que em nós sentimos;
Temer qu'olhos profanos nos devassem
O templo onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis d'lusões floridas;Sentir,
sem que se veja, a quem se adora,
Compreender, sem lhe ouvir,
seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!

quinta-feira, agosto 03, 2006

PERMANEÇO.
Este medo de sentir...
Esta dor que não o é ainda...
Esta cruz que se carrega
E essa entrega que tarda...
Luz difusa que te esconde...
E profusa vai onde
Mais ninguém pode ir...
Apenas eu permaneço
No escuro e eisque só desço,
Bem fundo, No poço
Que não posso Ignorar...
pois...Porque não esqueço...
Continuo a amar...



Levarei se assim quiseres
Até meu esconderijo.
Teus temores, tuas dores.
Juntaremos nossos medos,
Deixaremos escondidos - e à noite
Os tornaremos alheios.
Vamos subir nessa torre
E assobiá-los ao vento.
Juntaremos nossa sorte,
Para acatar uma barca
E remaremos, sem remorso.
Esconderei teus dados
Para que fiques ao léu
E te darei umas flores
Que a sorte é grande,
Que a sorte pode...
Não precisas papel...
Assim, seguro mas solto
Terás a brisa no encontro,
Te levarei numa tarde
E ficarás – se quiseres
Te esconderás , voarás
Verás comigo da torre
Agora nosso : o infinito.
Marieta C. Dobal



Chico Buarque - Lua Cheia
Ninguém vai chegar do mar
nem vai me levar daqui
nem vai calar minha viola
que desconsola,
chora notas pra ninguém ouvir
Minha voz ficou na espreita,
na espera,
quisera abrir meu peito,
cantar feliz
Preparei para você uma lua cheia
e você não veio, e você não quis
Meu violão ficou tão triste,
pudera,
quem dera abrir janelas,
fazer serão
Mas você me
navegou mares tão diversos
e eu fiquei sem versos,
e eu fiquei em vão

terça-feira, agosto 01, 2006

Canção do amor sereno
Lya Luft

Vem sem receio:
eu te recebo
como um dom
dos deuses do deserto
que decretaram minha trégua,
e permitiram
que o mel de teus
olhares me invadisse.
Quero que o meu amor
te faça livre,
que meus dedos
não te prendam
mas contornem o teu raro perfil
como lábios tocam
num anel sagrado.
Quero que o meu
amor te seja enfeite
e conforto, porto de
partida para a fundação
do teu reino,
em que a sombra
seja abrigo e ilha.
(Quero que o meu amor
te seja leve como
se dançasse numa
praia uma menina.)