terça-feira, julho 25, 2006


Elis Regina - Quero
Quero ver o sol atrás do muro
Quero um refugio que seja seguro
Uma nuvem branca sem pó nem fumaça
Quero um mundo feito sem porta ou vidraça
Quero uma estrada que leve a verdade
Quero a floresta em lugar da cidade
Uma estrela pura de ar respirável
Quero um lago limpo de água potável
Quero voar de mãos dadas com você
Ganhar o espaço em bolhas de sabão
Escorregar pelas cachoeiras
Pintar o mundo de arco íris
Quero rodas nas asas do girassol
Fazer cristais com gota de orvalho
Cobrir de flores campos de aço
Beijar de leva a face da lua
Escuto o silêncio da noite.
Tem uma estrela que se veste de saudades.
Estrela do oriente. Estrela de muitas pontas.
Pontas que me tocam as entranhas com os dedos da mágica poesia.
Tem uma tenda de amor iluminada por velas dentro do meu olhar poeta.
Calo-me ao absurdo desse momento de morte súbita.
Não me vejo fera... Não a vejo bela.
Vejo apenas constelações desconhecidas e um imenso planeta de areias e desertos.
Não é sonho. É coisa de vida e espasmos do tempo.
Tempo que se revela presente nas estampas dos lençóis
perfumados pelas flores colhidas na estação.
Um verso de esperança invade a aldeia dos meus sonhos.
Tem um canto cigano brincando de escrever um véu de sete pétalas de incenso benzido,
pela deusa do amor, no meu poema torto e sem rima.
Eu vôo... Vôo ao encontro dessa galáxia de olhos indecifráveis.
Não conheço os trilhos desse caminho revestido de poemas,
mas gosto desse encanto de momentos lúgubres...
A dor da ausência do amor é mais forte do que as palavras,
mas sei um verso antigo e embebido pelas lágrimas dos ventos
e choro nas asas dos salmos desconhecidas dos meus dias.
Um choro de alívio, mesclado com poesia.
Vou paixão e vôo no instinto das madrugadas...
Com ou sem elas... Pássaro de mim.
Pássaro louco e apaixonado pelas letras nos fazeres da magia.
Do amanhã não sei as cores, mas sei a música de escrever:
- morri... De amor, morri... Sei os olhos dela no momento final da poesia que me habita.
Feitiço para aprender o vôo do amanhã
e beijar os lábios da nuvem que sorri
sobre o oásis inventado para o próximo encontro.

Nathan de Castro

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